Vania Abreu: Uma retirante musical
Comemorando 15 anos de carreira com um DVD, a cantora revela o desafio de se tornar uma cantora de MPB, sendo irmã caçula da rainha do axé, Daniela Mercury POR MIGUEL ARCANJO PRADO

"O momento mais feliz é hoje! Mas não porque esteja mais fácil, nunca é fácil. Decidi que hoje é o dia, inédito, pronto para ser vivido. Nem ontem, nem amanhã." |
Vania Abreu é baiana, mas não quis saber de axé. Irmã caçula de Daniela Mercury, ela preferiu deixar Salvador em 1995, rumo a São Paulo, com só um sonho: viver da Música Popular Brasileira (MPB). E deu certo: gravou seis discos e tornou-se uma das vozes mais bonitas da MPB.
Em novembro de 2009, Vania gravou um DVD para comemorar os seus 15 anos de carreira. O trabalho chega às lojas nas próximas semanas. Aos 42 anos, casada com o cantor e parceiro musical, Marcelo Quintanilha, Vania define sua trajetória em uma pergunta que diz tudo: "Você acha que é fácil se lançar como uma cantora de MPB, sendo irmã da rainha do axé?". Confira como ela driblou esse desafio no bate-papo abaixo:
Como foi a decisão de deixar Salvador e tentar a carreira em São Paulo?
Eu sabia que teria desafios maiores para desenhar minha carreira de MPB caso eu ficasse em Salvador. Havia mais possibilidades se eu me mudasse para São Paulo, uma cidade que acolhe melhor as individualidades culturais. Salvador, ainda hoje, tem uma lógica de mercado voltada à indústria da música, feita somente para dançar.
Você não tem vontade de gravar um disco com a Daniela?
Já fizemos alguns shows juntas. Ela já participou do meu terceiro disco, mas um CD, assim, inteirinho, não fizemos ainda! Falamos de carreira, filosofamos, mas somos irmãs em primeiro lugar e gostamos de falar da nossa afetividade, das nossas vidas de mulheres, que antes eram meninas, que cresceram e brincaram juntas, e somos sempre assim quando nos juntamos. Creio que ainda faremos esse disco em algum momento dase nossas histórias individuais de cantoras.
Como é trabalhar com o marido?
É maravilhoso! Porque, antes de ser meu marido, ele é um grande compositor e cantor, e tem um ótimo astral no palco. Trabalho, antes de tudo, com o profissional Marcelo Quintanilha, mas é claro que, muitas vezes, somos marido e mulher e nos comportamos como tal também. Acho mesmo que é mais difícil para quem trabalha com a gente [risos].
Você optou por um estilo pouco valorizado na Bahia, a MPB. Teve mais dificuldades por causa disso?
Claro que sim, mas não somente na Bahia. Estamos falando de uma lógica de mercado que é empacotadora. Nos últimos anos, o axé se tornou uma referência de mercado geradora de muitos artistas e empregos para o Brasil, uma indústria de sucessos. Você acha que é fácil se lançar como uma cantora de MPB, sendo irmã da rainha do axé?
|