Dia Internacional da mulher
Historiador analisa a fundo a principal data em homenagem à louvável e histórica luta feminina por direitos igualitários e pela vontade de viver em uma sociedade mais justa Por Elie Boris Zussa Ivanoff
Dia 8 de março. Esta é uma data oficial do nosso calendário. Normalmente, é um dia pra se homenagear as mulheres de nossas vidas. As mães, esposas e até filhas esperam ansiosas que nos lembremos de presenteá-las com flores, bombons e demais clichês, mas este objetivo comercial dos dias de hoje não condiz com a origem do dia destinado à mulher. Sua origem está ligada ao movimento operário no século XIX em países industrializados da Europa e nos Estados Unidos.
Proposto por Clara Zetkin (1857-1933), pela primeira vez em uma assembleia destinada às mulheres, organizada pela Internacional Comunista (1910), a data obteve um reconhecimento maior, conquistado quando a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o "8 de março" como o Dia Internacional da Mulher.
Trabalhadoras do passado
As trabalhadoras da prodigiosa indústria têxtil participaram ativamente da luta por garantias importantes e direitos - no campo trabalhista - necessários, diante da enorme exploração característica do capitalismo industrial do século XIX. Mulheres e crianças faziam parte do cotidiano deste passado e, pela enorme dificuldade de sobreviver dos operários, surgiu uma grande força para a luta organizada dessas personagens históricas, e a mulher tem, sem dúvida, um papel de protagonista neste enredo.
Junto com a luta pela conquista de direitos no trabalho, iniciou-se também um debate sobre a participação da mulher na vida pública de uma cidade, província ou nação. O voto feminino é historicamente proibido desde o início da democracia na Grécia até o expoente da democracia burguesa na Revolução Francesa. A mulher sempre foi despojada dos seus direitos de voto e da participação durante boa parte da história ocidental.
Hora do voto
Os primeiros esforços para a conquista do voto feminino aconteceram na Inglaterra em 1897, onde foi criada, por Millicent Fawcett, a União Nacional pelo Sufrágio Feminino. E, na Nova Zelândia, antes mesmo da oficialização do movimento britânico, Kate Sheppard liderou o movimento de sufrágio feminino, aceito naquele país desde 1893. No Brasil, o movimento pelo voto das mulheres ocorreu em vários Estados e diferentes épocas.
Vale lembrar o movimento iniciado por Mietta Santiago em Minas Gerais, que, por uma sentença judicial, garantiu o seu direito de votar e ser votada nas eleições de 1928. Sua atuação junto com a luta pela emancipação da mulher rendeu uma homenagem de Carlos Drummond de Andrade a ela com o poema intitulado de Mulher Eleitora. Essa presença marcante da mulher na cena política fez com que o Brasil regulamentasse o voto e a candidatura femininos em 1934, entrando para um rol, até então, pequeno de países que cederam ao sufrágio da mulher.
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